O Tapete de Flores da Grand-Place: valeu a pena?
Planeámos uma viagem inteira à volta disto. O Tapete de Flores de Bruxelas acontece de dois em dois anos, durante um longo fim de semana a meio de agosto, quando meio milhão de begónias são dispostas pela Grand-Place num imenso desenho (os detalhes). As fotografias são de cortar a respiração. Por isso, reservámos.
E a nossa primeira reação, parados na berma da praça, foi um ligeiro “…é isto?” desanimado.
O erro que toda a gente comete
Eis o que ninguém diz com clareza suficiente: ao nível do chão, só se vê a borda do tapete. Ao nível da rua é uma faixa colorida de flores — bonita, mas o padrão é completamente ilegível. Chegámos a pensar que tínhamos criado expectativas demasiado altas.
Depois pagámos os escassos euros para a varanda do Hôtel de Ville.
Este é o conselho fundamental. O Tapete de Flores foi concebido para ser visto de cima — é essencialmente uma pintura estendida no chão, e como uma pintura é preciso a distância e o ângulo certos para a compreender. O tapete tem cerca de 75 por 24 metros, o que significa que da borda da praça se vê talvez um quinze avos de uma vez, comprimido pela perspetiva, sem qualquer noção do padrão global. É como estar junto ao altar da Capela Sistina a tentar perceber o teto.
A varanda do Hôtel de Ville é a solução: alguns metros de altura e distância, e o padrão completo resolve-se numa imagem coerente. O desenho muda a cada edição — tema diferente, paleta de cores diferente — mas a escala e a precisão são constantes, e cá de cima são genuinamente extraordinárias. Meio milhão de begónias, colocadas à mão em cerca de quatro horas na noite anterior à abertura ao público, dispostas com uma precisão que beira o absurdo. O tempo de espera era de uns vinte minutos; tínhamos dinheiro para fazê-lo duas vezes.
Cá de cima, é uma coisa completamente diferente
Lá de cima, o desenho inteiro ganhou sentido — o padrão de 75 por 24 metros na totalidade, as cores a formar uma única imagem intrincada sobre os paralelepípedos. Esse é o Tapete de Flores. A vista da varanda é a diferença entre “flores bonitas” e um verdadeiro uau. Fizemos uma fila de uns vinte minutos; valeu cada segundo.
Voltámos nessa noite para o espetáculo de som e luz, quando as corporações iluminadas e o tapete em tons noturnos se combinam — e aí ficámos completamente convencidos. À noite o tapete ganha um caráter diferente — a luz artificial revela relações cromáticas que a luz do dia achata — e o espetáculo projetado nas fachadas das casas das corporações enquadra-o de um modo mais teatral do que a visita diurna. Vale a pena programar um regresso ao fim do dia se ficarem por perto.
A questão das multidões merece ser antecipada. O Tapete de Flores atrai visitantes de toda a Europa e além, e a Grand-Place a meio de agosto durante o evento está genuinamente apinhada. De manhã cedo no primeiro ou segundo dia há as flores mais frescas e as multidões mais geríveis. No último dia o calor de agosto já fez o seu efeito nas begónias e parte da intensidade das cores esmoreceu.
O que diria a quem for
- Pague pela vista da varanda. Esta é a dica essencial. A vista ao nível do chão não faz jus ao tapete.
- Vá de manhã cedo para ver as flores mais frescas (no último dia, o calor de agosto cansa-as).
- Confirme que é ano de tapete — é bienal, nos anos pares (guia).
- Fique para o espetáculo da noite.
- Espere multidões — atrai pessoas de toda a Europa.
Uma nota prática adicional: o fim de semana do Tapete de Flores coincide também com o período mais movimentado da época turística estival em Bruxelas. Reserve alojamento bem antecipadamente se estiver a planear a viagem em torno deste evento — a cidade enche, e os melhores hotéis são os primeiros a esgotar.
A colocação do tapete
Algo que a visita não mostra, mas que acrescenta à apreciação: o tapete é colocado numa única noite por cerca de 120 voluntários, que começam ao fim do dia e trabalham até de madrugada antes do dia de abertura. As begónias — que chegam em cores específicas de acordo com o design, provenientes de produtores da região de Ghent — são cortadas e colocadas à mão, pétala a pétala, seguindo um molde marcado nos paralelepípedos. A logística é considerável: meio milhão de flores, uma praça com 24 metros de largura, uma única noite. O facto de parecer uma pintura vista de cima é esse o propósito — é uma pintura, em flores, montada na escuridão por pessoas que não dormem até estar concluída. Isto não é explicado com grande alarde no próprio evento, mas compreendê-lo torna a vista da varanda ainda mais impressionante.
Quando visitar durante o período de exposição
O tapete está exposto quatro dias — abrindo geralmente numa quinta-feira à tarde com uma cerimónia e encerrando no domingo. Cada dia tem características próprias que vale a pena conhecer. A quinta-feira à tarde é a inauguração: flores frescas, atmosfera formal e o espetáculo adicional da cerimónia oficial de abertura. A sexta-feira é muitas vezes o dia útil com menos afluência. O sábado é o dia de pico — famílias, visitantes internacionais, a experiência turística de massas em pleno. O domingo é o dia de encerramento: flores ligeiramente cansadas ao fim da tarde (o calor de agosto é implacável com flores cortadas), mas uma atmosfera de despedida à noite quando o tapete é desmontado durante a noite.
A nossa recomendação: sexta-feira de manhã para as flores mais frescas e as multidões mais geríveis, e regresso na quinta ou sexta à noite para o espetáculo de som e luz. O sábado é inevitável se o calendário o exigir, mas prepare-se para a confusão.
Veredicto
Vale a pena — se subir à varanda. O Tapete de Flores é verdadeiramente um daqueles espetáculos que não se pode perder, mas a magia está lá em cima, não aos seus pés. A maioria das caras desapontadas que vi eram de pessoas paradas ao nível da rua que não tinham subido. Não seja uma delas.
A Grand-Place já é uma das praças públicas mais notáveis da Europa; o Tapete de Flores, visto de cima, transforma-a em algo ainda mais improvável — uma tela de cor viva sobre os paralelepípedos medievais, montada numa noite, desaparecida em quatro dias. É essa combinação de escala, precisão e impermanência que faz valer a pena construir uma viagem à sua volta. É o ponto alto de uma viagem a Bruxelas no verão se as datas coincidirem — veja o nosso guia do Tapete de Flores para planear a visita.