Por que voltámos a Bruxelas (depois de quase a abandonar)
Da primeira vez que fomos a Bruxelas, quase não voltámos. Da segunda, tornou-se uma das nossas cidades favoritas na Europa. Esta é a história do que mudou — e é, no fundo, uma história sobre a forma como nós viajávamos, não sobre a cidade.
A má primeira visita
A nossa primeira viagem foram algumas horas a caminho de outro destino. Fotografámos a Grand-Place (linda), ficámos perplexos com o Manneken-Pis (pequeno, desconcertante), almoçámos a preço de ouro numa rua turística ali perto (erro nosso — a armadilha), achamos a zona junto à estação de Midi deprimente, e partimos a pensar: “Praça agradável, o resto deixa a desejar. Não percebemos o entusiasmo.”
Tínhamos feito tudo mal e julgámos a cidade com base nisso.
O que nos trouxe de volta
Uma amiga que vivera lá não aceitou o veredicto. “Não viram nada,” disse ela, e enumerou uma lista — o Art Nouveau, os murais de banda desenhada, as cervejarias de lambic, a comida em Sainte-Catherine e no Dansaert. Assim, um pouco a contragosto, dedicámos-lhe um fim de semana a sério.
A cidade que tínhamos ignorado por completo
Foi como visitar um lugar novo. Percorremos a pé as ruas de Art Nouveau de Saint-Gilles e ficámos boquiabertos no Museu Horta. Transformámos uma manhã numa caça ao tesouro de murais de banda desenhada. Bebemos gueuze ácida numa cervejaria que pouco mudou desde 1900. Comemos de forma excelente, uma rua atrás daquela onde nos tinham passado a fatura da primeira vez (melhores bairros).
Nada disto está propriamente escondido — está apenas a dez minutos a pé do sítio onde os autocarros turísticos param, e é preciso dar-lhe um ou dois dias (sobravaliado/subavaliado).
A lição
Bruxelas não se exibe. Não vai conquistar-vos numa tarde como Bruges o faz. Recompensa os curiosos e frustra os passivos — julgai-a de relance numa visita apressada e decepciona; dai-lhe tempo verdadeiro e torna-se silenciosamente uma favorita (vale a pena visitar Bruxelas?).
Voltámos várias vezes desde então. O céu cinzento, o centro discreto, o humor ligeiramente surreal — adoramos tudo isso agora. Mas quase o perdemos por completo, por causa de um mau almoço e três horas atropeladas.
Por isso, se a vossa primeira impressão de Bruxelas foi “meh” — voltem, e caminhem mais dez minutos. É aí que começa a cidade que amamos.